23/07/2006
Acordamos às 07:00h, já que iríamos sair somente às 08:30h. Hoje o dia seria diferente, pois teríamos um guia para nos acompanhar em todos os passeios. Thiago, filho da Dona Dolores, seria nosso guia.
Tomamos café da manhã e fomos para o quarto pegar as nossas coisas, já que no final do dia, iríamos embora para Porto Nacional.
No quarto, ouvi sons que pareciam ser de um tucano. Fui até a rua, já com a minha câmera, e quase não acreditei on que vi: 8 tucanos na árvore que fica nos fundos da pousada. Meu desespero foi tão grande que liguei a máquina e fiz as fotos, sem olhar como a câmera estava configurada. Resultado: algumas fotos razoáveis, e minha melhor chance de fotografar tucanos desperdiçada. Poderia ter feito fotos muito melhores, se tivesse ajustado a câmera corretamente. Coisa de amador!!!
Terminamos de colocar tudo na S10 e saímos com o guia conduzindo o carro. Paramos rapidamente para pegar gelo e fomos para a estrada que liga Ponte Alta à Pindorama.
Nossos destinos seriam a cachoeira da Fumaça e Fumacinha, Pedra Furada, o Talhado do Rio dos Bois e a cachoeira do soninho.
Nossa primeira parada foi um riachinho que corta a estrada. Paramos, olhamos e saímos, tudo bem rápido.
Continuamos na estrada e fomos então para a cachoeira do soninho. Ninguém entrou na água, apenas ficamos admirando e fazendo algumas fotos.
Voltamos para a estrada e rodamos mais um tempo, chegando no rio soninho. Lá uma família já fazia um churrasquinho, enquanto as crianças nadavam.
Eu e Angelica decidimos entrar na água, que estava bem fria, porém maravilhosa. A correnteza no rio era considerável, e era preciso ficar atento, pois uns 20 metros abaixo já tinha algumas corredeiras.
As crianças nos chamaram para pularmos em outro lugar, mais acima, e vir descendo com a correnteza. Fomos, e foi muito bom. Simplesmente boiamos, e deixamos o rio nos levar, por cerca de 70 metros. Nos secamos, batemos fotos e voltamos para a estrada.
Nossa próxima parada seria a cachoeira da fumaça. O Thiago havia nos falado que seria melhor que a cachoeira da velha. Então estávamos anciosos.
Chegamos, paramos o carro e pegamos uma pequena trilha.
Quando finalmente chegamos, nos deparamos com uma cachoeira muito bonita, mais alta que a cachoeira da velha, porém mais estreita. Ficamos todos impressionados com a beleza, mas o melhor ainda estava por vir.
Thiago nos convidou para passarmos por trás da queda d’água. Claro que aceitamos. Descemos por outra trilha, numa caminhada de uns 10 ou 15 minutos. As pedras do caminho eram muito lisas, o que exigia atenção redobrada. Cada passo significava mais água sobre nossos corpos, até que estávamos encharcados. Mas a cada passo, a sensação era melhor. Quando nos vimos atrás da cachoeira, a sensação e a beleza eram indescritíveis. Não dá para falar, para descrever. Só quem vai entendo o que é.
A água, o barulho, a luz, tudo é perfeito, lindo e de uma paz inexplicável.Thiago apontou algo numa raiz no alto da cachoeira, acima de nossas cabeças. Uma sucuri, descansava tranqüilamente. Sensacional.
Por alguns minutos ficamos ali parados, olhando para tanta água, às vezes fria, quando vinha da queda, às vezes morna, quando caia pelas raízes que desciam atrás da cachoeira.
A vontade era de ficar muito tempo, mas tínhamos outros passeios nos esperando, além de meu sogro e minha sogra nos esperando, pois não desceram conosco.
Tínhamos a opção de voltar por outro caminho, saindo do outro lado do rio. Mas fizemos o mesmo caminho de volta, pegamos nossas coisas no meio da trilha, que havíamos deixado para que não molhassem, fizemos mais algumas fotos e voltamos para o carro. Uma das melhores sensações que já tive na vida. Um momento muito especial no Jalapão.
De volta para a estrada, seguimos para a cachoeira da Fumacinha. Mas antes, paramos no rio Balsas (o mesmo da cachoeira), uns 2km antes da cachoeira. Ali comemos alguma coisa, tiramos algumas fotos e arrumamos a bagagem da S10, que havia sido alterada com o fato da porta da caçamba ter aberto durante o último percurso.
Seguimos para a cachoeira da Fumacinha. A trilha era bem mais íngreme e complicada do que a trilha para a cachoeira da Fumaça. Novamente, meus sogros decidiram não descer. Eu, Angelica e Thiago começamos a descer. A trilha é muito escorregadia. No início, por ter muita areia. Depois, por ter muita lama. Como a Angelica comentou, “foi a trilha mais selvagem”, pois cortávamos a mata ciliar numa trilha bem fechada.
Mas o esforço valeu a pena. A cachoeira também é muito bonita. Menor do que a da Fumaça, como o nome sugere, mas também grande e com um bom volume de água. Podíamos nadar se quiséssemos, mas decidimos só olhar e, como sempre, fotografar. A volta foi tão complicada ou mais que a descida. Num determinado momento, pisei errado na lama, e meu pé afundou até a canela, sujando tênis, meia e perna. Mas como todos os passeios até agora, valeu muito a pena.
Nossa próxima parada seria o Talhado do Rio dos Bois, mas antes pedi ao Thiago que parasse no rio das Balsas novamente, para que eu pudesse limpar meus pés bem sujos de lama.
Angelica também limpou seus pés, e seguimos então para a estrada.
Um fato curioso chamou minha atenção em Ponte Alta e arredores: a falta de placas sinalizando os pontos de passeio. A entrada para o Talhado é uma estrada pequena, que sai da estrada principal. Somente quem conhece pode acertar o lugar.
Num determinado momento, uma porteira fechada com cadeado. Esse é um lugar fechado à visitação, e só conseguimos porque o Thiago conhece o dono do lugar e conseguiu a chave. Após a porteira, a estrada é bem ruim, mostrando que ninguém passa ali já há uns 6 meses, segundo cálculo do guia. Seguimos devagar pela estradinha, quase fechada pelo mato, por alguns minutos. E então chegamos.
O lugar é uma enorme cratera, de cerca de 25 metros de profundidade, e de mais de 100 metros de extensão. Num dos lados, próximo ao local onde chegamos, uma queda d’água forma um poço no fundo da cratera. A vegetação cobriu o fundo de verde. Infelizmente, não havia uma trilha aberta para o outro lado, para que pudéssemos olhar a queda d’água por outro ângulo.
Logo a frente de onde paramos o carro, uma fenda de uns 40cm de largura e bem profunda parecia contornar a cratera, dando a impressão que um dia parte da rocha pode desmoronar.
Esse passeio foi meio decepcionante, pelo menos para mim, já que esperava ter a mesma visão daquela da fotografia que vi na internet. Mas mesmo assim, valeu a pena.
Saímos do Talhado já passava das 16:00h. Fomos então para o último passeio do Jalapão, a Pedra Furada. Na estrada, o Thiago apontou o local onde estávamos indo. Parecia muito longe. Mas não era. Depois de alguns minutos, saímos novamente da estrada principal para entrar em outra, menor, com trechos de pura areia.
A S10 “dançou” na estrada algumas vezes, mas passou bem. Fomos então nos aproximando de uma formação que crescia a medida que ficávamos mais próximos. A Pedra Furada é grande, bem maior do que eu imaginava, já que eu havia visto algumas fotos.
Paramos o carro e ao descer fomos “recepcionados” por um bando de periquitão-maracanãs (Aratinga leucophthalma) barulhentos, que provavelmente moram no lugar. Eram vários, sempre aos casais. Vez ou outra um filhote voava com os pais. Ficamos ali por quase 1 hora.
Segundo o Thiago, a pedra é formada de areia. Nas duas extremidades, há um buraco na pedra. Do lado direito (olhando de frente para a pedra, a partir de onde havíamos deixado o carro), o buraco é maior que o outro. Deve ter cerca de 4m de altura, e uns 2m de largura. Não pudemos visitar o buraco menor, pois havia abelhas no local.
Tiramos várias fotos do local, e algumas das redondezas. Também fiz fotos do periquitão e de um outro pássaro pequeno, marrom que apareceu na cerca: o gibão-de-couro (Hirundinea ferruginea). Decidimos sair antes do por do sol, já que a tração da S10 não estava funcionando.
E esse passeio encerra nossa viagem ao Jalapão. Voltamos para a pousada para deixar o Thiago. E de lá voltamos para Porto Nacional.
Foram 5 dias de paisagens lindas e muita aventura. E muito, mas muito pó. Mas também muita água, sempre cristalina, e em uma ocasião, nas Dunas, potável, segundo o guia Salvador.
Jalapão, um lugar fantástico, ainda sem muita infra-estrutura, mas fascinante. O Jalapão está aos poucos sendo estruturado para o turismo. Espero que governo, fazendeiros e população trabalhem juntos para preservar um dos locais mais lindos do Brasil.



















