Viagens

Monday, August 28, 2006

23/07/2006


Acordamos às 07:00h, já que iríamos sair somente às 08:30h. Hoje o dia seria diferente, pois teríamos um guia para nos acompanhar em todos os passeios. Thiago, filho da Dona Dolores, seria nosso guia.

Tomamos café da manhã e fomos para o quarto pegar as nossas coisas, já que no final do dia, iríamos embora para Porto Nacional.

No quarto, ouvi sons que pareciam ser de um tucano. Fui até a rua, já com a minha câmera, e quase não acreditei on que vi: 8 tucanos na árvore que fica nos fundos da pousada. Meu desespero foi tão grande que liguei a máquina e fiz as fotos, sem olhar como a câmera estava configurada. Resultado: algumas fotos razoáveis, e minha melhor chance de fotografar tucanos desperdiçada. Poderia ter feito fotos muito melhores, se tivesse ajustado a câmera corretamente. Coisa de amador!!!

Terminamos de colocar tudo na S10 e saímos com o guia conduzindo o carro. Paramos rapidamente para pegar gelo e fomos para a estrada que liga Ponte Alta à Pindorama.

Nossos destinos seriam a cachoeira da Fumaça e Fumacinha, Pedra Furada, o Talhado do Rio dos Bois e a cachoeira do soninho.

Nossa primeira parada foi um riachinho que corta a estrada. Paramos, olhamos e saímos, tudo bem rápido.

Continuamos na estrada e fomos então para a cachoeira do soninho. Ninguém entrou na água, apenas ficamos admirando e fazendo algumas fotos.





Voltamos para a estrada e rodamos mais um tempo, chegando no rio soninho. Lá uma família já fazia um churrasquinho, enquanto as crianças nadavam.

Eu e Angelica decidimos entrar na água, que estava bem fria, porém maravilhosa. A correnteza no rio era considerável, e era preciso ficar atento, pois uns 20 metros abaixo já tinha algumas corredeiras.

As crianças nos chamaram para pularmos em outro lugar, mais acima, e vir descendo com a correnteza. Fomos, e foi muito bom. Simplesmente boiamos, e deixamos o rio nos levar, por cerca de 70 metros. Nos secamos, batemos fotos e voltamos para a estrada.

Nossa próxima parada seria a cachoeira da fumaça. O Thiago havia nos falado que seria melhor que a cachoeira da velha. Então estávamos anciosos.

Chegamos, paramos o carro e pegamos uma pequena trilha.

Quando finalmente chegamos, nos deparamos com uma cachoeira muito bonita, mais alta que a cachoeira da velha, porém mais estreita. Ficamos todos impressionados com a beleza, mas o melhor ainda estava por vir.

Thiago nos convidou para passarmos por trás da queda d’água. Claro que aceitamos. Descemos por outra trilha, numa caminhada de uns 10 ou 15 minutos. As pedras do caminho eram muito lisas, o que exigia atenção redobrada. Cada passo significava mais água sobre nossos corpos, até que estávamos encharcados. Mas a cada passo, a sensação era melhor. Quando nos vimos atrás da cachoeira, a sensação e a beleza eram indescritíveis. Não dá para falar, para descrever. Só quem vai entendo o que é.

A água, o barulho, a luz, tudo é perfeito, lindo e de uma paz inexplicável.Thiago apontou algo numa raiz no alto da cachoeira, acima de nossas cabeças. Uma sucuri, descansava tranqüilamente. Sensacional.

Por alguns minutos ficamos ali parados, olhando para tanta água, às vezes fria, quando vinha da queda, às vezes morna, quando caia pelas raízes que desciam atrás da cachoeira.

A vontade era de ficar muito tempo, mas tínhamos outros passeios nos esperando, além de meu sogro e minha sogra nos esperando, pois não desceram conosco.

Tínhamos a opção de voltar por outro caminho, saindo do outro lado do rio. Mas fizemos o mesmo caminho de volta, pegamos nossas coisas no meio da trilha, que havíamos deixado para que não molhassem, fizemos mais algumas fotos e voltamos para o carro. Uma das melhores sensações que já tive na vida. Um momento muito especial no Jalapão.

De volta para a estrada, seguimos para a cachoeira da Fumacinha. Mas antes, paramos no rio Balsas (o mesmo da cachoeira), uns 2km antes da cachoeira. Ali comemos alguma coisa, tiramos algumas fotos e arrumamos a bagagem da S10, que havia sido alterada com o fato da porta da caçamba ter aberto durante o último percurso.

Seguimos para a cachoeira da Fumacinha. A trilha era bem mais íngreme e complicada do que a trilha para a cachoeira da Fumaça. Novamente, meus sogros decidiram não descer. Eu, Angelica e Thiago começamos a descer. A trilha é muito escorregadia. No início, por ter muita areia. Depois, por ter muita lama. Como a Angelica comentou, “foi a trilha mais selvagem”, pois cortávamos a mata ciliar numa trilha bem fechada.

Mas o esforço valeu a pena. A cachoeira também é muito bonita. Menor do que a da Fumaça, como o nome sugere, mas também grande e com um bom volume de água. Podíamos nadar se quiséssemos, mas decidimos só olhar e, como sempre, fotografar. A volta foi tão complicada ou mais que a descida. Num determinado momento, pisei errado na lama, e meu pé afundou até a canela, sujando tênis, meia e perna. Mas como todos os passeios até agora, valeu muito a pena.

Nossa próxima parada seria o Talhado do Rio dos Bois, mas antes pedi ao Thiago que parasse no rio das Balsas novamente, para que eu pudesse limpar meus pés bem sujos de lama.

Angelica também limpou seus pés, e seguimos então para a estrada.

Um fato curioso chamou minha atenção em Ponte Alta e arredores: a falta de placas sinalizando os pontos de passeio. A entrada para o Talhado é uma estrada pequena, que sai da estrada principal. Somente quem conhece pode acertar o lugar.

Num determinado momento, uma porteira fechada com cadeado. Esse é um lugar fechado à visitação, e só conseguimos porque o Thiago conhece o dono do lugar e conseguiu a chave. Após a porteira, a estrada é bem ruim, mostrando que ninguém passa ali já há uns 6 meses, segundo cálculo do guia. Seguimos devagar pela estradinha, quase fechada pelo mato, por alguns minutos. E então chegamos.

O lugar é uma enorme cratera, de cerca de 25 metros de profundidade, e de mais de 100 metros de extensão. Num dos lados, próximo ao local onde chegamos, uma queda d’água forma um poço no fundo da cratera. A vegetação cobriu o fundo de verde. Infelizmente, não havia uma trilha aberta para o outro lado, para que pudéssemos olhar a queda d’água por outro ângulo.

Logo a frente de onde paramos o carro, uma fenda de uns 40cm de largura e bem profunda parecia contornar a cratera, dando a impressão que um dia parte da rocha pode desmoronar.

Esse passeio foi meio decepcionante, pelo menos para mim, já que esperava ter a mesma visão daquela da fotografia que vi na internet. Mas mesmo assim, valeu a pena.

Saímos do Talhado já passava das 16:00h. Fomos então para o último passeio do Jalapão, a Pedra Furada. Na estrada, o Thiago apontou o local onde estávamos indo. Parecia muito longe. Mas não era. Depois de alguns minutos, saímos novamente da estrada principal para entrar em outra, menor, com trechos de pura areia.

A S10 “dançou” na estrada algumas vezes, mas passou bem. Fomos então nos aproximando de uma formação que crescia a medida que ficávamos mais próximos. A Pedra Furada é grande, bem maior do que eu imaginava, já que eu havia visto algumas fotos.

Paramos o carro e ao descer fomos “recepcionados” por um bando de periquitão-maracanãs (Aratinga leucophthalma) barulhentos, que provavelmente moram no lugar. Eram vários, sempre aos casais. Vez ou outra um filhote voava com os pais. Ficamos ali por quase 1 hora.

Segundo o Thiago, a pedra é formada de areia. Nas duas extremidades, há um buraco na pedra. Do lado direito (olhando de frente para a pedra, a partir de onde havíamos deixado o carro), o buraco é maior que o outro. Deve ter cerca de 4m de altura, e uns 2m de largura. Não pudemos visitar o buraco menor, pois havia abelhas no local.

Tiramos várias fotos do local, e algumas das redondezas. Também fiz fotos do periquitão e de um outro pássaro pequeno, marrom que apareceu na cerca: o gibão-de-couro (Hirundinea ferruginea). Decidimos sair antes do por do sol, já que a tração da S10 não estava funcionando.

E esse passeio encerra nossa viagem ao Jalapão. Voltamos para a pousada para deixar o Thiago. E de lá voltamos para Porto Nacional.

Foram 5 dias de paisagens lindas e muita aventura. E muito, mas muito pó. Mas também muita água, sempre cristalina, e em uma ocasião, nas Dunas, potável, segundo o guia Salvador.

Jalapão, um lugar fantástico, ainda sem muita infra-estrutura, mas fascinante. O Jalapão está aos poucos sendo estruturado para o turismo. Espero que governo, fazendeiros e população trabalhem juntos para preservar um dos locais mais lindos do Brasil.

22/07/2006

Hoje foi dia de deixar Mateiros e voltar para Ponte Alta. A pousada que ficamos, Pousada Panela de Ferro, é nova, bem simples, mas muito bacana. Os donos são muito gente boa, José Roberto e Josinete, além do filho, o menino Luís Otávio.

Tomamos nosso último café na pousada, passamos algumas fotos da câmera para o pen-drive e saímos.

Deixamos Mateiros por volta das 08:00h. Nosso plano era passar no Rio Novo no caminho, e tentar faer algum passeio em Ponte Alta ainda no dia de hoje, já que imaginávamos chegar perto das 13:00h, após rodar os 170km que separam as duas cidades. Mas as coisas não saíram exatamente como planejamos.

Chegamos no Rio Novo e paramos logo após a ponte. Tiramos algumas fotos e quase fomos destruídos pelos mosquitinhos pretos que existem ali. Tivemos que correr até o carro e buscar nosso repelente.

Depois estacionamos num ponto de acampamento, na marge do rio. Ali ficamos uns minutos, e aproveitei para observar e fotografar alguns pássaros: gavião-carrapateiro (Milvago chimachima), um arapaçu-do-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris), uma saíra-amarela (Tangara cayana) alguns pássaros-preto, periquitos que não consegui ver detalhes para identificar, e um pássaro não identificado.





Pegamos estrada novamente. No caminho avistamos um casal de arara-vermelha (Ara chloropterus), alguns gaviões, um veadinho, duas emas (Rhea americana) e duas seriemas (Cariama cristata). Infelizmente também vimos o lado feio do Jalapão: quilômetros de cerrado desmatado e queimado. Uma cena triste, porém cada vez mais comum. Triste também foi encontrar uma seriema morta, provavelmente atropelada na estrada.

Faltando cerca de 50km para chegar em Ponte Alta, um pedaço da estrada parecia muito ruim. Pura areia. E ao lado da estrada havia um desvio. Decidimos seguir o desvio. E foi aí que as coisas complicaram. A S10 atolou num banco de areia. Por mais que tentássemos, parecia que seria impossível. Decidimos esperar por ajuda.

Um caminhão se aproximou, e achamos que seria nossa solução. Mas o caminhão não conseguiu pegar o desvio e chegar próximo da S10 sem que também ficasse atolado. Então decidimos tentar empurrar. Nada.

Um carro de polícia apareceu. Mais um para ajudar. O policial pegou uma enxada, para tentarmos tirar um pouco da areia do pneu atolado, o traseiro esquerdo. Tiramos areia, colocamos galhos de árvore e ainda nada. O caminhão foi embora, e o policial sugeriu pedir ajuda em uma fazenda próxima.

Minha sogra foi com o carro de polícia, e depois de uns minutos, voltou em um trator, junto com o motorista e um garoto. Este amarrou a S10 ao trator, e finalmente a S10 começou a ser retirada do atoleiro. Isso tudo durou pelo menos 1 hora. Devido às tentativas, nós estávamos imundos de areia, terra e poeira.

Seguimos viagem, e chegando na Sussuapara, decidimos parar para nos lavarmos no rio. Meu sogro e minha sogra decidiram ficar no riacho do outro lado da estrada. Eu e Angelica descemos para a fenda. Mas desta vez, eu decidi andar na água, e ver onde o riacho me levaria.

Foi então que vimos uma Sussuapara muito mais bonita do que a que tínhamos conhecido no primeiro dia. Sussuapara é uma fenda na rocha de cerca de uns 6m de altura, e uns 20m de extensão, no trecho que conhecemos, e uns 4m de largura, no trecho mais estreito, uns 8m no trecho mais largo. Como julho já é período de seca, a água variava de poucos centírmetros – uns 5 no lugar mais raso, até aproximadamente 1m no ponto mais fundo.

Caminhamos pela água, até encontrar um pequeno poço no lugar onde a fenda tem sua maior largura. Sussuapara se revelou uma atração muito bonital, que não pode deixar de ser visitada.

Saímos já passava das 3 da tarde, e seguimos viagem para Ponte Alta, chegando na cidade por volta das 15:30h.

Na cidade, fomos para a pousada Portal do Jalapão, da Dona Dolores. No dia anterior, havíamos conhecido seu filho, o Thiago, que é guia e acompanhava um grupo para Mateiros.

Deixamos nossas coisas, fomos almoçar, às 16:00h. Fomos até a prainha, e como está tendo uma programação especial de férias, várias barraquinhas estavam montadas algumas servindo refeição.

Comemos arroz, feijão, salada de tomate com repolho e peixe ensopado. Voltamos para a pousada e finalmente fomos tomar um bom banho.
Depois fomos ao Cyber-café, ao lado da pousada, gravar 2 CDs para liberar espaço nas câmeras.

A noite voltamos para a prainha para jantar. Ficamos só nas porções: carne seca e peixe. Voltamos para a pousada para descansar, de mais um dia de aventuras no Jalapão.

Sunday, August 13, 2006

21/07/2006
Nosso último dia em Mateiros começou novamete às 06:20h, quando o despertador tocou. Levantamos, nos arrumamos e formos tomar café.

O cardápio praticamente o mesmo, mas hoje com um bolo de milho muito bom.

Após o café, às 08:00h saímos para o fervedouro de Mateiros. Rodamos aproximadamente 25km e uma placa do lado esquerdo indicava o caminho para o fervedouro. Pegamos uma estrada à esquerda, e mais alguns minutos encontramos a entrada. Paramos o carro e descemos por uma pequena estrada a pé, por cerca de 300m. Chegamos e não encontramos ninguém. Como fomos os primeiros a chegar, tivemos tempo suficiente para tirar as fotos que quisemos, e então entramos na água.

Somente 8 pessoas podem entrar na água ao mesmo tempo. Há uma taxa de R$5,00 por pessoa.

O fervedouro é totalmente rodeado por bananeiras. A água estava numa temperatura muito agradável, não muito fria. Ficamos brincando e curtindo o fervedouro por pelo menos 1h.

Nesse meio tempo, uma mulher apareceu. É ela que toma conta do lugar, recebendo dos usuários a taxa que cada um deve pagar. Enquanto estávamos na água, ela retirava a seda do buriti, usada para amarrar os fios de capim dourado, nos artesanatos feitos pelos habitantes da região. No próprio local, alguns objetos feitos de capim dourado estavam à venda.

Conversamos um pouco com essa mulher, e do fervedouro fomos para o povoado de Mumbuca. São poucas casas, e uma lojinha com os artesanatos produzidos pelos moradores. Compramos algumas coisas, tiramos umas fotos e voltamos para Mateiros.

Na pousada, descansamos um pouco, almoçamos e arrumamos as coisas para o próximo passeio: as dunas.

As dunas ficam a cerca de 35km de Mateiros, na estrada para Ponte Alta. Havíamos recebido a sugestão de ir com um guia para as dunas, chamado Salvador. O guia fica em uma casa à beira da estrada Mateiros-Ponte Alta, na entrada da estrada para as dunas. Paramos e conversamos com o Salvador, um rapaz gente fina que nos acompanhou no passeio.

Da estrada Mateiros-Ponte Alta até as dunas são cerca de 4,5km, de pura areia. Fomos avisados que somente carros 4x4 deveriam tentar. Como estávamos com uma S10 4x4, lá fomos nós.

Andamos cerca de 100m e paramos. O carro não ia. Após algumas tentativas, meu sogro deu lugar ao Salvador. Com muita dificuldade, ele conseguiu levar a S10. Foi aí que descobrimos que a tração estava quebrada.

No caminho a estrada tem várias ramificações, que se a pessoa não conhecer, pode ter problemas com o ´areião´.

Já no caminho, dava para se ter uma idéia do que nos esperava. As dunas surgem no meio do cerrado, com uma coloração laranja forte, destacando-se na paisagem.

Chegamos a uma cabana grande, onde tivemos que deixar o carro e seguir a pé, por uma trilha de 5 minutos. Na trilha, o guia Salvador nos mostra o jatobazinho, o jatobá do cerrado.

Finalmente chegamos. Simplesmente lindo. Uma parede de areia sobe logo após um riacho de águas cristalinas, bem raso, com alguns pontos com no máximo 8cm de água. Segundo o guia Salvador, a água é potável. Então bebemos um pouco. Tem um gosto um pouco forte de barro, mas naquele sol, foi muito bom!

Salvador nos convida para subir. Uma trilha, marcada por um rastro de pegadas, sobe pelas dunas. A subida não é tão difícil, mas o suficiente para nos deixar um pouco ofegantes. Mas o visual lá de cima compensa qualquer esforço. Simplesmente indescritível. Uma vista privilegiada de um pedaço do Jalapão.

De lá podemos ver grande parte do cerrado, o riacho lá embaixo, a montanha de onde, segundo o guia, vem toda a areia que forma as dunas.

Tiramos várias fotos, observamos tudo o que podíamo, e esperamos o por do sol. Um momento realmente mágico de toda a viagem. Imagens que com certeza jamais iremos esquecer.

Após o sol se por, o céu ganhou cores lindas. Vários tons de azul, amarelo e vermelho. Um colorido maravilhoso.

Descemos novamente, e pegamos a trilha de volta até o carro. E mais aventura nos esperava para tirar o carro das areias do Jalapão. Após um certo esforço, Salvador consegue nos levar de volta.

Tomamos um refrigerante, conversamos com outros turistas, inclusive gente de Campinas e Atibaia, pagamos e agradecemos ao Salvador. Um guia muito bacana, que na tarde de hoje fez jus ao seu nome, nos tirando do areião das Dunas do Jalapão.

Voltamos para Mateiros, chegando na pousada por volta das 20:00h. Tomamos um merecido banho e fomos jantar. A boa comida encerrou mais um belo dia no jalapão, o último em Mateiros.

Tuesday, August 01, 2006

20/07/2006
O relógio tocou às 06:20h. Enrolamos por 10 minutos, e então levantamos, nos arrumamos e fomos tomar café.

O café era simples: leite, café, bolo de coco, de fubá, de mandioca, além de uma torta salgada. Também tinha ovo mexido, pão, queijo e mortadela.

Saímos para o primeiro passeio, às 08:20h. Nosso destino: a cidade de São Felix, 79km de Mateiros.

No caminho formos admirando as belezas do Jalapão. O dia estava lindo, com céu limpo, poucas nuvens, bem brancas. Bastante verde do cerrado dos dois lados da estrada. Vez ou outra um pedaço de terra com queimada quebrava a beleza da paisagem.

Passamos pela entrada para o fervedouro de Mateiros, e alguns minutos à frente, uma ponte estava quebrada, e no riacho um carro parado também nos fez parar.

Uma outra S10 que vinha atrás também parou, e rebocou o carro de dentro do rio.

Meu sogro havia passado com a S10, então eu, Angelica e minha sogra tivemos que passar pelo rio, a pé.
Como o rio estava baixo, na altura da canela, foi tranqüilo.

Seguimos para São Felix e às 10:00h chegamos. Perguntamos a um morador, e este nos indicou o caminho para o fervedouro. Após mais alguns minutos, chegamos.

Um casal estava na porta de sua casa, local onde devemos pagar R$5,00 por pessoa para poder visitar.


Andamos mais uns 100m após a casa e então chegamos ao fervedouro. Uma paisagem incrível. Um pequeno “lago”, com algumas bananeiras e outras árvores ao redor.

A água simplesmente cristalina. Ao centro um quase círculo se sobressai do restante do lago, formado por uma areia branca, rodeada por uma faixa de areia preta, como um contorno. Lindo! Um silêncio enche de paz o lugar, só quebrado pelos cantos dos pássaros.

Ficamos por um tempo só admirando, olhando e fazendo algumas fotos, sem coragem para entrar na água, pois não queríamos desmanchar o círculo formado pela areia. Até que o caseiro que mora no lugar nos garantiu que podíamos entrar sem alterar o cenário que encontramos quando chegamos.

Entramos com cuidado, pisando devagar. Ao chegarmos ao centro, pudemos conferir o fenômeno que fez com que o lugar se tornasse conhecido: é impossível afundar. A força da água que ali brota não nos deixa afundar. Uma sensação muito boa, num lugar muito bonito. Ficamos na água por alguns minutos, e então saímos, com vontade de ficar.

Do lado de fora, sanhaços-do-coqueiro “pulam” de bananeira para bananeira, para se alimentar. Outros pássaros cantam em outras árvores, como a embaúba. Tudo faz com que o momento seja inesquecível, num lugar muito lindo.

Do fervedouro fomos para a Praia do Alecrim, uns 300 metros do fervedouro. Um lugar bonito, mas menos que a prainha da cachoeira da Velha. Não entramos na água. Apenas tiramos algumas fotos, ficamos uns minutos descansando na sombra. Meu sogro tentou pescar, mas sem muito sucesso. Outros garotos que também pescavam no lugar não tiveram muita sorte, no tempo que estivemos por lá.

Saímos e fomos almoçar, no Hotel e Restaurante Jalapão, da Dona Irá. Comida simples, mas muito boa. E bem barato.

Do restaurante seguimos para nossa próxima parada: a Cachoeira da Formiga. Fica a cerca de 30km de Mateiros, do lado direito, sentido São Felix. Paga-se R$5,00 por pessoa.

A cachoeira é muito bonita, num lugar muito agradável. É pequena, tanto na extensão quanto na altura da queda. Porém forma um poço de águas cristalinas, meio esverdeadas. A temperatura da água é muito boa. É possível sentar ou ficar em pé nas pedras embaixo da queda principal da cachoeira, e receber uma massagem nas costas com a água que cai. Um lugar realmente maravilhoso.

Quando chegamos, algumas famílias faziam churrasco numa área anterior a cachoeira. Havia pelo menos umas 20 pessoas. Infelizmente, como muitos brasileiros, alguns eram muito mal educados. Um jogou um copo descartável nas margens do poço, que caiu e ia descendo rio abaixo se não eu não tivesse pegado. Um cara, de Palmas, jogou o resto da churrasqueira no rio. Uma cena triste, que mostra que muitas pessoas não estão preparadas para um turismo sustentável.

Ficamos na cachoeira por mais de uma hora. Saímos quando o sol já estava baixando. Voltamos para Mateiros. Chegando na cidade, pudemos observar o por do sol. Mais um atrativo lindo do Jalapão.

Tomamos banho, olhamos algumas fotos nas câmeras e fomos jantar. Novamente, a comida estava ótima.